VILANOVENSES NO SERVIÇO MILITAR
Inspecção Militar - "ir às sortes"
Aos dezoito anos ir à Câmara Municipal “dar” o nome para a tropa era o alerta que estava à porta a emancipação.
Depois, no ano seguinte, era ver no Edital afixado na Junta de Freguesia o dia de “IR ÀS SORTES”. Era o sonho tornado realidade.
Era vê-los no dia assinalado, irem para Tomar vestidos de fatinho novo acompanhados por um acordeonista ou um realejo e, nus perante os militares de carreira, mostrarem que estava ali um “novo homem”.
Depois da inspecção, eram identificados com uma fita de uma cor, colocada ao peito ou na lapela do casaco. A cor encarnada informava, apurado para todo o serviço militar. A cor verde, indicava que teria de aguardava mais um ano. E finalmente a cor branca indicava que estava livre de cumprir o serviço militar.
Depois da inspecção, vinha o almoço conjunto numa das casas de pasto de Tomar. Ainda hoje existe quem se recorda da primeira visita à rua Pedro Dias em Tomar.
Ao Chegar à aldeia, a reacção dos familiares era diferente, os das fita encarnada pensavam logo nos tormentos que os seu filhos iriam passar na tropa. As dos outros, era o alívio pelo adiar ou resolução esperada do problema.
Na aldeia a festa continuava, e muitas vezes, os festejos do dia terminavam com um baile na colectividade. Facto relatado por “João Russo”.
OS GRANDES CONFLITOS MILITARES
Guerra Peninsular 1807-1811
Segundo registos de 1764 a 1834, existiu a Capitania – Mor de Ordenanças do concelho
de Torres Novas, sendo a 5ª Companhia - Freguesia de Igreja Nova, composta por 10 Esquadras,
sendo a segunda esquadra composta totalmente por homens de Vila Nova.
Em 27/9/1810, dá-se, perto do Luso, a batalha do Buçaco. Sobre este acontecimento
relata Amorim Rosa em Anais da Cidade de Tomar, páginas 118 e119: ”As tropas
do Regimento de Milícias de Tomar, distinguiu-se nesta batalha ganha pelas forças
anglo portuguesas”. “Wellington lançou as suas Divisões em perseguição
do inimigo: a 5 ª a do General Jaime Leith, a Divisão de Tomar onde ia o nosso Regimento
de Milícias de Tomar encontrava-se a 29 de Março, subindo o Nabão a caminho da Guarda. Pag.123.
Na batalha de Buçaco lutaram 25.000 portugueses e 25.000 ingleses, contra 65.000 franceses
. Estes, tiveram cerca de 4500 mortos, e nós 1250 baixas1. (Em Wikipédia – enciclopédia).
Destes mortos seriam alguns de Vila Nova? Não sabemos! Acreditamos que tenham andado por lá.
1ª GRANDE GUERRA
1914 - 1918
Resultado da crise mundial, e da tentativa hegemónica da Alemanha, este país declara em 1914, guerra à Rússia (1 de Agosto), à França (3 de Agosto) e invade o Luxemburgo e a Bélgica. Em 4 de Agosto do mesmo ano, a Inglaterra declara guerra à Alemanha.
Estalava assim o maior conflito mundial dos tempos modernos.
Devido á secular Aliança Luso-Britânica o governo português recebe em 17 de Fevereiro de 1916, um pedido ao governo britânico para apreender todos os navios mercantes alemães fundeados nos portos portugueses.
Portugal em nome da Aliança assim cumpriu.
Em 9 de Março de1916, Alemanha declara guerra a Portugal.
Foi necessário irem tropas portuguesas para França para travar os alemães.
Em 22 de Junho de 1916 (1), é constituído, em Tancos, o Corpo Expedicionário Português (C.E.P.) composto por 30 mil homens, onde a grande maioria pertenciam ao R.I.15 de Tomar, vindo alguns já na vida civil.
Em 19 de Janeiro de 1917 (1) seguiram para Lisboa. Partiram em 30 de Janeiro de 1917 a bordo de três barcos britânicos(1) chegaram a Brest, a 2 de Fevereiro. Em 10 de Abril do mesmo ano estavam na frente de batalha em Neuve chapelle e Flandres (2).
Depois, foi o que se sabe. Sofrer, sofrer, sofrer...
Segundo relata o livro”Noticias Históricas das Guarnições Militares de Tomar, do Coronel do Exercito, Luís Nogueira, pág.120 - ”Por falta de munições ficaram prisioneiros das tropas alemãs, os militares do R.I.15: 7 oficiais e 31 praças de pré”.
Do C.E.P. morreram no conflito 1643 militares(3), sendo do R.I.15, seis sargentos, quatro cabos e quarenta e seis praças.
Da nossa aldeia foram mobilizados para a guerra e integraram o C.E.P. sete jovens, sendo eles:José Lopes - pai de Maria Isilda, Marcolino Lopes e Silvino. Segundo informação da filha Isilda, esteve prisioneiro em campo de concentração alemão, onde sofreu maus-tratos e até erva da parada teve de comer. Regressou a Portugal seis meses depois dos seus camaradas. Nasceu em 4 de Dezembro de 1895 e faleceu a 13 de Julho de 1981; António Freitas - 1º cabo, pai de Celestino Freitas, António Freitas, Emília e Maria de Jesus;
Manuel José Lagarto - pai do Jaime, José, Analidio, Manuel e Maria;
António Pereira Faria - pai de António, Manuel, João, Helena, José e João. Militar durante dois anos no Regimento de Artilharia de Abrantes e na 1ª Grande Guerra, esteve na Bélgica e no norte de França. Nasceu em 22 de Novembro de 1894 e faleceu em 5 de Dezembro de 1969;
Manuel Pereira Faria - pai de João José Pereira, Celeste, Florinda e Lurdes;
João dos Santos - pai do Manuel, José, António dos Santos, Ilda, Ermelinda e Maria;
Estevão Gonçalves - pai do Manuel e João Estevão.
Estes bravos, ajudaram que o mundo não ficasse nas mãos de uma só potência (Alemanha). Quando partiram da terra que os viu nascer, fizeram uma solene promessa: “Se chegarmos todos da guerra, faremos uma grande festa em honra de São Brás”. Dizem que felizmente cumpriram a promessa. Muito embora o José Lopes tenha chegado mais tarde.
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(1) - O portal da história – Internet.
(2) – Boletim Cultural da C.M.T. nº26.
(3) – Wikipédia – Internet.
2ª GRANDE GUERRA
1939 - 1943
Apesar de vigorar a Aliança Luso-Britânica de 1373, e a Inglaterra estar em guerra contra a Alemanha Nazi, Salazar em relação ao conflito declarou em 1939 a neutralidade. Relata o Boletim Cultural da C.M.T. nº 26: “Estrategicamente fomos “neutros” no entanto, sabedor da importância estratégica das Ilhas Atlânticas Açores e Cabo Verde, o governo entendeu reforçar aqueles territórios com mais tropas. Para Cabo Verde foi um batalhão de Infantaria. Devido a desinteria, febre tifóide e outras doenças, algumas tropas morreram, entre eles o Comandante do Batalhão, Major Nicolau de Luizi, que era natural de Tomar, terra onde de encontram os restos mortais”. Também nesta frente militar, Vila Nova viu partir um filho, José da Silva Reis, que mobilizado pelo R.I.15 seguiu para Cabo Verde, tendo desembarcado no porto de Mindelo em 23 de Julho de 1941, ilha de São Vicente.
GUERRA COLONIAL
1961 - 1974
Após a II Guerra Mundial todos os países europeus colonizadores, com excepção de Portugal, foram concedendo a independência às suas colónias. Em 1961, começou a luta dos movimentos de libertação das colónias de Angola, Guiné e Moçambique, cujo desfecho foi a independência a seguir a 25 de Abril de 1974. Segundo dados fornecidos pelo livro Noticias Históricas das Guarnições Militares de Tomar e Boletim Cultural nº 26 Especial na guerra colonial e relativo a Batalhões saídos do R.I.15 faleceram nos treze anos 637 militares. Infelizmente, no número de mortos, está o nosso querido amigo de infância António Ferreira dos Santos. Nasceu em Vila Nova no dia 22 de Março de 1944. Faleceu em Moçambique em 01 de Março de 1968. No caso dos mancebos da minha criação, desde os anos 1960 até 1974 só os invisuais e os que tinham deficiência grave é que se livravam de ir à tropa. Raros eram aqueles, que escapavam de serem mobilizados Foi este o preço pago pela maioria dos homens da minha geração, tudo para alimentar uma guerra cega e injusta.